segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Michael Schumacher de Itaquera

EXT.DIA - CASA JORGINHO (COZINHA)

A MÃE DE JORGINHO (Iara Jamra) abre uma sacola com hortaliças e frutas que a MÃE DE RAIO (Angela Dip) trouxe. RAIO DE LUA (Gabriella Vergani) a cumprimenta, com beijos.

MÃE DE JORGINHO
Tudo bem, com você, De Lua? Cadê o Sol?

LUA
Tá pegando mais cenouras no carro, tia.

MÃE DE RAIO
É tudo orgânico...nós que plantamos!

Telefone toca, Lua corre para atender.

LUA
É pro Jorginho. A cobrar...Ele tá lá em cima?

Mãe de Raio faz cara feia e berra com o andar superior.

MÃE DE JORGINHO
Jorginho!! Telefone! Atende e vai logo que eu preciso usar! Esse menino não tem um amigo que preste. (Para Lua) Você leva prá ele?

Diário do Diretor - Dia 1 (continuação)


A segunda locação - a casa de Jorginho - estava localizada no bairro de Pinheiros, onde chegamos às 09:30. A cena com as atrizes Iara Jamra, Angela Dip e Gabi Vergani deveria ir ate as 12:30 mas fomos até às 13 horas. Aí almoçamos e o catering foi muito elogiado. Visitas ilustres chegam ao set: o roteirista Dagomir Marquezi com seu filho Icaro, que nos acompanhará alguns dias como nosso fotógrafo de still. A produtora associada Maria Ionescu. A preparadora de elenco e atriz Jac Cordeiro, que nos presenteou com a companhia de sua linda filha Catarina. O meu colega e diretor Luis Alberto Pereira (o Gal) que ocupará a mesma sede de produçao que estamos alugando, no final deste mes. Agradeço a todo o elenco e à equipe pelo belo primeiro dia de trabalho, quando rimos e produzimos muito: foram quase 5 páginas filmadas. Nossa meta é filmar as 54 paginas em 12 dias, o que nos impoe uma média de 4,5 páginas por dia de muito bom humor.
Ricardo Pinto e Silva

O equipamento de som.
Conferindo a próxima cena.

Rodolfo Valente, o "Raio de Sol", pronto para carregar um caixote de legumes, confere seu próprio pepino.
Fotos: Dagomir Marquezi

Diário do Diretor - Dia 1


4 horas da manha e o zóiâo: pá! Era a ansiedade que ainda me desperta em dias de filmagens, principalmente no primeiro dia de um novo trabalho. Embora tranquilo, com mudanças normais e anormais de ultima hora, ainda consegui dar mais uma cochiladinha ate às 5 horas, quando finalmente o despertador tocou. Banhão, barba e saindo. 10 graus centígrados! Trânsito tranqüilo ate o Ibirapuera. A equipe estava desde as 05:30. O horario do privilegiado diretor era 6h30 na ordem do primeiro dos 12 dias de filmagens de Carro de Paulista.

Ao entrar pelo portao 3 do Parque do Ibirapuera, deveria encontrar todos em frente ao estacionamento da Oca. Mas eu vi o carro vermelho Subaru 94 e percebi que a placa de "proibido estacionar" deveria ser mudada de um poste para outro. E não vi ninguem mais. Mas estacionei e achei todo mundo no que eu chamo de "colméia",a mesa com as guloseimas e o café da manhã. Como é gostoso tomar um café da manha com sua equipe, em locaçao e ver o dia amanhecendo. Rodamos a primeira cena das 6h as 8h40. Só 10 minutos além do previsto.
Ricardo Pinto e Silva

Thiago passa frio com a equipe.

Tadeu e Thiago

Fotos: Ricardo Pinto e Silva

Novidades no elenco do Carro

Aqui vão as novidades no elenco do Carro. São papéis que não existem na peça. Alguns são apenas citados pelos personagens no palco (como as mães de Jorginho e Raio de Sol). Outros foram criados para o filme. Em ordem alfabética:

Angela Dip
"Mãe dos Raios"

Iara Jamra
"Mãe de Jorginho"

Marco Furlan
"Reinaldo"

Vera Nunes
"Senhora da Farmácia"

domingo, 7 de junho de 2009

Rodando!

Rodamos 180 Gigabytes de material documentando São Paulo à noite, para servir de plates (material para o segundo plano) das imagens do carro em movimento. Usamos 4 câmeras Panasonic HVX 200. Ficou muito legal mas infelizmente perdemos o horário da luz diurna para as cenas 15 e 17. Mas o carro já acelerou.
Ricardo Pinto e Silva




sábado, 6 de junho de 2009

O Carro na Veja SP

Gianne: filme na Estação da Luz
foto: Fernando Lemos

Deve ficar movimentada a região da Estação da Luz no domingo (14). Culpa – ou mérito? – de Gianne Albertoni, que encarnará ali a prostituta Kelly do telefilme Carro de Paulista, inspirado na peça homônima de Mário Viana e Alessandro Marson. "Gostei dela assim que a vi atuando", afirma o diretor, Ricardo Pinto e Silva, como se tivesse lido a mente da rapaziada que cruza com a gata. "Sempre sonhei em ser atriz", conta a ex-modelo paulistana, radicada no Rio de Janeiro há três anos. Em agosto, a filha boa a casa torna. É para quando está prevista a chegada à cidade da peça Cachorras-Quentes – aliás, outro motivo de agitação é um selinho que troca com uma colega no espetáculo. "Não existe emoção maior que a de estar no palco."

Veja São Paulo 10 junho 2009

Entrevista: Tadeu Pinheiro

Você sempre quis ser ator ou já teve outras idéias?
Na verdade meu maior sonho era ser jogador de futebol. Quando estava na idade de fazer testes pra ser jogador, entrei para um grupo de teatro de escola pra melhorar as notas, e nao deixei mais o teatro. Hoje o futebol é uma grande paixão mas só nas horas vagas

Quantas peças você está fazendo no momento? Filmes, programas de TV?
No teatro, o Carro de Paulista e o infantil As Aventuras de Peter Pan e Pinoquio, os dois no Ruth Escobar. Acabei de fazer um longa metragem em Trancoso na Bahia chamado Fala Sério, com direçao de Augusto Sevá que estréia em fevereiro do ano que vem.

Como chegou ao Carro de Paulista?
Em 2006 fiz um peça adulta como ator, produzida pelo Mario Sergio. Aí esse espetáculo acabou e em 2007 eu estava sem grana, e telefonei para o Mario e perguntei se poderia fazer bilheteria, contra-regragem, luz, som, qualquer coisa pra poder ganhar uma "graninha". Então o Mario pediu pra eu fazer a bilheteria do Carro de Paulista, e passei 2007 inteiro como bilheteiro da peça. Em janeiro de 2008 eu estava em Pederneiras SP, minha cidade natal, quando o Mario me ligou e disse "Ta afim de fazer o carro de paulista como ator?". Na mesma hora respondi que sim. Minha estréia foi no dia 16 de janiero de 2008 interpretando o Raio de Sol.

Quais as diferenças prá você em interpretar Raio de Sol e o Pedrão?
O Raio é um personagem calmo, zen e é o unico que tem um tempo diferente dos outros tres personagens. Já o Pedrão, é totalmente o oposto do Raio, ele é dinamico e conduz a história. É o unico que nao sai do palco do começo ao fim da peça, tem que estar sempre bem acelerado.

E quais as diferenças em interpretar o Pedrão no palco e no filme?
No palco eu falo tudo pra cima num volume alto, pois tem que atingir até a ultima fileira do teatro. Os movimentos e as expressões são maiores. No filme ele tem que ter uma energia mais transmitida no olhar. As marcações sao diferentes e o volume da voz também. O diretor Ricardo Pinto e Silva sempre fala pra desmontar o "cirquinho", que é uma posição que ficamos imaginando que a camera é o publico, como no teatro. Então quando pensamos que nunca podemos ficar de costas pra camera, o Ricardo nos corrige dizendo que sim! Essas são as grandes diferenças.

Qual seu grande sonho ainda não-realizado como ator?
Chegar um dia em nao me preocupar se teremos publico ou não. Montar peças e levar a grande massa para o teatro esgotando sempre os ingressos. Sei que meio utópico, mas sonhar nao custa nada.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Como enquadrar uma cena?

Largo São Bento, 25 de maio, altas horas da noite. Depois de várias tentativas, o diretor Ricardo Pinto e Silva acerta no enquadramento de uma cena com Aline e Fábio. Os sinos não são efeito sonoro para realçar o romantismo da cena envolvendo Junior e a Mina do Ponto. A gente estava na verdade ao lado do Mosteiro de São Bento...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Entrevista: Aline Abovsky


Como embarcou no Carro de Paulista?
Eu já conhecia o Jairo Mattos há muitos anos, éramos amigos e já havíamos trabalhado juntos. Eu estava com outra peça, Garotas da Quadra, no mesmo teatro que estava a primeira versão do Carro. O Jairo me convidou pra assistir e eu fui ver aquela grande bobagem que me fez rir do começo ao fim. Então, quando um dia ele me ligou dizendo que ia remontar a peça com novo elenco e me convidou, eu aceitei o convite no hora. E isso já faz 4 anos!

Como você virou dublê?
Eu comecei a treinar muito de leve Le Parkour com uns amigos. Le Parkour surgiu na França com um cara incrível chamado David Belle. É uma modalidade que usa equilíbrio, força e agilidade pra transpor obstáculos. Depois de uma leve torção no joelho vi que aquilo era demais pra mim. Mas eu queria algo que fosse agregar a minha profissão de atriz e que ao mesmo tempo fosse um diferencial. Foi daí que surgiu a idéia de procurar um curso de dublê de ação. Foi quando conheci o pessoal da Dublês Brasil e a partir daí comecei a treinar e a fazer parte da equipe. Mas infelizmente é muito dificil trabalhar como dublê no Brasil, visto que a profissão não é regulamentada, o que dificulta demais. Não há uma valorização da profissão, há ainda quem pense que o dublê existe para se ferrar no lugar do ator. Mas tenho visto na TV e no cinema uma vontade de inovar em cenas de ação, o que é sensacional. Talvez assim os profissionais sejam mais valorizados no mercado.

Quais as diferenças em interpretar a Mina do Ponto no palco e no filme?
Não vejo muitas diferenças não. O que o filme está me dando é um refresh da personagem. Coisas que tenho criado para o filme, como uma maneira de andar, de movimentar os braços, tenho levado para o palco para experimentar. E não há nada mais gostoso de poder reinventar uma coisa que já faço há 4 anos.

Qual seu grande sonho ainda não-realizado como atriz?
Hum..sonhos eu tenho vários. Mas uma coisa que eu quero demais fazer é uma personagem que fosse de ação total. Onde as cenas pudessem ser gravadas ou filmadas sem cortes ou com cortes diferenciados, para que todos pudessem ver que a dublê da atriz é a própria atriz, sacou? Eu chego lá!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ensaio no crâb

Este é um registro do primeiro ensaio do Carro realizado em locação, no dia 25 de maio. Quem já viu a peça vai reconhecer logo: os 3 manos estão na fila do "crâb", sem ter a menor idéia de onde estão se metendo. A locação é o restaurante San Sebastian, na Vila Madalena. Tadeu, Thiago e Fábio interpretam, Ricardo dirige, DM filma.

Lost na Bahia



O "Pedrão" de Carro de Paulista, viajou uns dias da semana passada para Trancoso, tradicional território "hippie" na Bahia. Tadeu participou do elenco de um longa-metragem, e conta aqui os detalhes do seu trabalho:

A experiencia foi muito legal. Estive no lado bonito de Trancoso que todos conhecem. E também no lado da miséria , que poucas pessoas sabem que existe, conhecido como "Invasão". O longa vai se chamar Fala Sério e é dirigido por Augusto Sevá. Data prevista de estréia: fevereiro de 2010. O filme conta a história de jovens adolescentes que engravidam, e é inspirado em casos reais do lugar.
Tadeu Pinheiro


Ensaio sobre a bobeira

Tadeu e Thiago ensaiam a cena onde Pedrão e Jorginho discutem o valor da lealdade com os amigos. Na direção, Ricardo Pinto e Silva com assistência de Jac Cordeiro. Na mesa estão também Rodolfo e Fábio. Na produtora, bairro de Pinheiros, 1 de junho, fim da tarde.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Gabriella: a nova passageira do Carro


Hoje tivemos o primeiro ensaio com a Raio de Lua, a "de Lua", irmã do Raio de Sol (Rodolfo Valente) e prima do Jorginho (Thiago Catelani). A personagem "de Lua" será interpretada pela jovem atriz Gabriella Vergani. Gabi é uma descoberta da diretora de fotografia Katia Coelho, que nos presenteou com uma querida amiga e entusiasmada jovem atriz.

Só posso agradecer aos atores Thiago e Gabi pelo divertido ensaio de hoje e confesso que estou encantado pela sua beleza e graciosidade. Ela contou com o imprescindivel e sempre atento trabalho da nossa querida Jacqueline Cordeiro para caprichar na expressão corporal e vocal. Caminha para ser um destaque em simpatia e sensualidade no Carro de Paulista.
Ricardo Pinto e Silva


Gabriella ensaia no banheiro, onde vai encontrar o primo Jorginho.

Antes de Gabi aparecer, Jacqueline Cordeiro fez o papel de "Raio de Lua" durante ensaio com Thiago.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Como fazer uma comédia jovem filmada em HD


Para o telefilme Carro de Paulista me debrucei sobre o excelente livrinho do Mike Figgs, Digital Film Making, ocasionalmente encontrado em abril na Livraria do CCBB do Rio,ainda quando eu estava terminando a comédia Dores & Amores. É um guia excelente e me despertou para as questões técnicas de câmera, estilo de operaçao de camera e de decupagem, uso do som e da música, entre outras boas dicas de direção e produção.

Revi os filmes disponiveis em DVD do diretor no Brasil e lembro de memoria da sessao de Time Code, no final do ano passado, na Cinemateca Brasileira, em SP. Consegui alugar: A Garganta do Diabo("Cold creek manor"), Miss Julie, Despedida de Las Vegas, Mr. Jones, Internal affairs e o documentário Red, White and Blues. Todos muito legais e sempre com sequências com video digital (usando o Fig Rig) e camera na mão. Será o estilo que vamos usar no nosso Carro de Paulista.
Ricardo Pinto e Silva

O Fig Rig